quarta-feira, abril 22

Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará

Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da
violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não
pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns.
Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos
acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de
três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas
permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta
a Polícia Militar. Esclarecemos também que:


1-
No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na
mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento
em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das
chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária
Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em
protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os
materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os
sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam
buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou
a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o
acampamento.

2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que
chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão.
Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O
trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão,
enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado
e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.

3- Os
trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o
acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram
os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da
guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo
depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido
liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma
lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois,
os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as
lideranças do acampamento.

4- Sem a palha e a lenha, os
trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para
pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma
marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não
iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da
Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos
marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar
a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de "escudo
humano", até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos
pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram
levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que
tinham tramado uma emboscada.

5- Os trabalhadores do MST não
estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras
do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na
região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos
seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram
correndo - como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve
um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos
seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.

6- Nove trabalhadores
rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.
O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado
grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma
bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os
seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo
Ribeiro e Índio.

7- Sem ter informações dos três companheiros
que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados
informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam
a rodovia PA-150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação
dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum
jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados,
mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os
sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três
trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.

MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ

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