terça-feira, abril 28

Programação do seminário "José de Alencar - 180 anos"

S e m i n á r i o
José de Alencar - 180 anos


8 de maio, sexta-feira, 10:00

Palestra de Abertura
"Nossa formação como povo e nação,e seu agonístico caráter nacional - alguns balizamentos".
Dr. Eduardo Diatahy B. de Menezes
Professor titular do Doutorado em Sociologia da UFC
Professor Emérito da UFC



15 de maio, sexta-feira, 9:30

M E S A - R E D O N D A

Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez
Doutora em Letras (UFMG), professora do Departamento de
Literatura e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC

Meize Regina de Lucena Lucas
Doutora em História (UFRJ), professora da Graduação em História
e do Programa de Pós-Graduação em História (UFC)

Ana Amelia de Moura Cavalcante de Melo
Doutora em Ciências Sociais (CPDA/UFRRJ), professora da Graduação
em História e do Programa de Pós-Graduação em História (UFC)



22 de maio, sexta-feira, 9:30

M E S A - R E D O N D A

Vera Lucia Albuquerque de Moraes
Doutora em Sociologia (UFC), professora do Departamento de
Literatura e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC
Ivone Cordeiro Barbosa
Doutora em História (USP), professora da Graduação em
História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFC

Fernanda Maria Abreu Coutinho
Doutora em Teoria da Literatura (UFPE), professora do Departamento de
Literatura e do Programa de Pós-Graduação em Literatura da UFC



29 de maio, sexta-feira, 9:30

M E S A - R E D O N D A

Marcelo Peloggio
Doutor em Literatura Comparada (UFF), professor
do Departamento de Literatura da UFC
João Ernani Furtado Filho
Doutor em História (USP), professor da Graduação em História
e do Programa de Pós-Graduação em História da UFC

Francisco Régis Lopes Ramos
Doutor em História (PUC-SP), professor da Graduação em História
e do Programa de Pós-Graduação em História da UFC


Local: Auditório do Departamento de História - UFC

quarta-feira, abril 22

As reuniões de organização do Simpósio Nacional de História acontecem sempre às sextas-feiras, às 11h, na Casa da Anpuh. Se você também quer construir o Simpósio com a gente, é só aparecer por lá. Faça parte você também da nossa Casa!

Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará

Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da
violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não
pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns.
Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos
acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de
três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas
permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta
a Polícia Militar. Esclarecemos também que:


1-
No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na
mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento
em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das
chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária
Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em
protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os
materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os
sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam
buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou
a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o
acampamento.

2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que
chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão.
Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O
trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão,
enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado
e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.

3- Os
trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o
acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram
os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da
guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo
depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido
liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma
lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois,
os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as
lideranças do acampamento.

4- Sem a palha e a lenha, os
trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para
pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma
marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não
iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da
Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos
marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar
a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de "escudo
humano", até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos
pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram
levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que
tinham tramado uma emboscada.

5- Os trabalhadores do MST não
estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras
do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na
região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos
seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram
correndo - como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve
um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos
seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.

6- Nove trabalhadores
rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.
O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado
grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma
bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os
seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo
Ribeiro e Índio.

7- Sem ter informações dos três companheiros
que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados
informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam
a rodovia PA-150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação
dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum
jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados,
mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os
sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três
trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.

MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ

Rede Globo e Daniel Dantas: um caso de polícia

Não se trata de cobertura dos fatos, se trata de um ataque à consciência dos telespectadores

Na noite de 19 de abril o programa de variedades Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará, envolvendo "seguranças" (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia, a versão dos fatos dos sem terra, pois na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores da equipe de reportagem da Rede Globo, assassinos em potencial, e ao final, corpos de militantes aparecem baleados no chão, agonizantes, sangrando, sem nenhum socorro, e a reportagem não fornece nenhuma informação sobre o estado de saúde das vítimas.

Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere. No caso, tendemos a concordar com a punição dada aos desordeiros: "que sangrem até morrer!", ou "quem mandou brincar com fogo?!" podem ser algumas das bárbaras conclusões inevitáveis a que os telespectadores serão levados à chegar.

Nós, em nossas casas, consumidores do que a televisão aberta nos apresenta, não temos direito ao juízo crítico, porque o protocolo básico das regras do jornalismo não é mais cumprido. Nós somos atacados em nosso direito de receber informações e emitir julgamentos, nós somos saqueados por emissoras privadas que mobilizam nosso sentimento de medo, ódio e desprezo, para em seguida nos exigir sorrisos com a próxima reportagem.

Como um exercício de manutenção da capacidade de reflexão, precisamos nominar esse tipo de ataque fascista com os termos que ele exige. A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças.

Seguem questionamentos à reportagem, com o intuito de expor o arbítrio de classe da Rede Globo, para que esse texto possa endossar a documentação que denuncia a irregularidade das emissoras privadas e protesta contra a manutenção de concessões públicas para empresas que não cumprem com as leis do setor.

1º) Por que a Globo protege Dantas? Por que a emissora não tornou evidente que as terras pleiteadas pelo MST para Reforma Agrária são de Daniel Dantas? Qual o grau de envolvimento da emissora nas manobras ilícitas do banqueiro?

2°) Por que o MST não foi escutado na reportagem? Quais os motivos do movimento para decidir ocupar aquela fazenda?

3°) As imagens contradizem os fatos. A câmera da equipe de reportagem aparece sempre posicionada atrás dos seguranças da fazenda, e nunca à frente dos sem terra.

E vejam informação da Agência Estado: "A polícia de Redenção informou a Puty [Cláudio Puty, chefe da Casa Civil do governo do Pará] não ter havido cárcere privado de jornalistas e funcionários da Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas e que tem 13 fazendas invadidas e ocupadas pelo MST. Os jornalistas, porém, negam a versão da polícia e garantem que ficaram no meio do tiroteio entre o MST e seguranças da fazenda" (
http://br.noticias.yahoo.com/s/19042009/25/manchetes-pm-desarmar-mst-segurancas-no.html). Quer dizer, nem mesmo os grandes jornais conservadores estão fazendo coro com a cobertura extremamente parcial da Rede Globo.

4°) Ocorreu um tiroteio mesmo? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, e com armas de calibre pesado. E a imagem dos feridos mostra os sem terra baleados e um jagunço de pé, com pano na cabeça, possivelmente contendo sangramento de ferimento não causado por arma de fogo, dado o estado de saúde do homem.

5º) Por que os feridos não são tratados com o mesmo direito à humanidade que as vítimas de classe média da violência urbana? Eles não têm nomes? O que aconteceu com eles? Algum morreu? Quem prestou socorro? Em que hospital estão? Por que essas informações básicas foram omitidas?

6°) Por que mostrar como um troféu a agonia de seres humanos sangrando no chão, sem nenhum socorro?

Osvaldo da Costa
osvaldodacosta@gmail.com 19 de abril de 2009